← Índice Todas as secções Fl. 003 · 08.09.2026

Taxas & mercado Revisto 08.09

A Euribor arrefece. A sua prestação ainda não sabe.

Entre a decisão do banco central e o valor que sai da sua conta há um atraso de meses. Explicamos onde ele mora.

Autor · Joana Marques Leitura · 9 min Fl. 003 / 14

Há uma pergunta que chega ao estúdio quase todas as semanas, sempre pela mesma ordem: primeiro a notícia de que as taxas desceram, depois a estranheza de que a prestação continua igual. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e a explicação está numa linha do contrato que quase ninguém lê.

Nos créditos de taxa variável, o indexante é revisto de três em três, de seis em seis ou de doze em doze meses. Entre revisões o valor está congelado: a descida existe no mercado, mas ainda não existe no seu extrato.

Onde mora o atraso

Se a revisão é semestral e caiu em julho, a próxima só chega em janeiro — e usará a média da Euribor do mês anterior à revisão, não a taxa do dia em que lê isto. É por isso que duas casas na mesma rua, com o mesmo banco, podem ter prestações diferentes no mesmo mês.

O indexante não se negocia. O spread negoceia-se — e é aí que estão os euros.

Fica então a parte que depende de si. O indexante é do mercado, mas o spread, as comissões e os seguros associados são contrato — e contrato revê-se. Um crédito assinado em 2022, no pico da subida, carrega quase sempre margem que hoje já não corresponde ao risco real de quem paga há três anos sem falhar.

Esperar, renegociar ou transferir

Esperar faz sentido quando a revisão está a poucas semanas e o spread já é competitivo. Renegociar faz sentido quando o histórico é bom e o banco tem margem para defender o cliente. Transferir faz sentido quando a diferença de spread paga os custos do processo em menos de dois anos.

Nota de rodapéRegra prática: se a poupança anual não cobre os custos da transferência em 24 meses, não vale a pena mexer.

Traga o contrato, a data da última revisão e o mapa de responsabilidades do Banco de Portugal. Em vinte minutos sabe-se qual dos três caminhos é o seu — e, se nenhum for, dizemos-lhe também isso.

■ Fim da folha

Folhas seguintesFl.

06 Taxa fixa, variável ou mista: a escolha em euros Taxas & mercado 041 02 Spread, TAN e TAEG sem mistério A letra pequena 011 03 A casa da Marta, em três semanas Histórias 019